O que é Dissecção de Aorta?

Dissecção de aorta ocorre quando uma fenestra se abre na parede do vaso, fazendo com que o sangue passe a circular não só no interior do mesmo mas também entre as camadas da parede. A chamada “luz verdadeira” é o interior do vaso onde o sangue deve passar normalmente. Já a “luz falsa” é o trajeto por dentro da parede onde o sangue não deveria passar, porém devido à presença da fenestra agora passa por este trajeto.

A dissecção da aorta geralmente ocorre na porção torácica, e pode se estender para a aorta abdominal e artérias viscerais (artérias que levam sangue para os órgãos abdominais, como o fígado, intestino e rins). Outras artérias do corpo também podem ser acometidas, como as artérias carótidas e as artérias que levam sangue para os membros inferiores e membros superiores.

Esta é uma condição médica potencialmente fatal. A diminuição do fluxo sanguíneo na aorta dissecada e nas artérias que dela se originam pode ocasionar danos aos órgãos. Além disso, devido à fragilidade da parede dissecada, pode ocorrer a ruptura da sua última camada e levar o paciente à morte.

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Quais as causas e os fatores de risco da dissecção de aorta?

A disseção de aorta ocorre tanto em homens quanto em mulheres, porém é mais comum em homens entre 60 e 80 anos.

Os fatores de riscos mais importantes da dissecção são a hipertensão arterial descontrolada e a aterosclerose (endurecimento das artérias devido ao depósito de gordura). Outras condições como válvula aórtica bicúspide, vasculites e algumas síndromes genéticas como Síndrome de Marfan também são fatores de risco.

Quais são os sintomas da dissecção de aorta?

A maior parte dos pacientes apresenta dor torácica súbita e intensa, em “rasgada”, e pode irradiar-se para o dorso e para o abdome. O paciente descreve como a pior dor que já sentiu. Na maioria das vezes o paciente se encontra hipertenso.

Uma vez que grande parte do sangue está passando pela luz falsa, pode ocorrer diminuição do fluxo sanguíneo para os órgãos do corpo e ocasionar sintomas de baixa perfusão (ou seja, falta de circulação). Exemplos são: desmaio, tonturas, dor abdominal, dor e frialdade nos braços e nas pernas. Falta de perfusão no cérebro pode levar ao AVC (derrame) e para o coração pode levar ao infarto do miocárdio.

Outros sinais de dissecção são sopro cardíaco, pulsos fracos nos pés e punhos e diferença de pressão arterial entre os braços.

Como é diagnosticada a dissecção de aorta?

Quando há suspeita, exames de imagem devem ser realizados imediatamente no Pronto Socorro. O exame mais realizado é a Angio-Tomografia Computadorizada, a qual é capaz de mostrar o flap da dissecção, extensão e vasos acometidos, dilatações dos vasos e sinais de rotura. Essas características, associadas a sinais clínicos do paciente, determinam a urgência da situação e se será necessária cirurgia de emergência.

Outros exames como Ecocardiografia Transesofágica podem ser necessários para avaliar a dissecção que se inicia próxima ao coração.

Existem 2 tipos de Dissecção: a Tipo A, a qual há envolvimento da aorta ascendente (porção da aorta que sai do coração), e a Tipo B, a qual há envolvimento da aorta descendente (porção da aorta que se inicia após a saída dos vasos cerebrais e que tem trajeto descendente no tórax) e a aorta abdominal, sem afetar a aorta ascendente. Os exames de imagem definem o tipo de dissecção e guia o tipo de tratamento necessário.

Qual é o tratamento da dissecção de aorta?

A dissecção tipo A é uma emergência cirúrgica, uma vez que a mortalidade é muito alta e aumenta a cada hora do início dos sintomas. A cirurgia é realizada pela equipe da Cirurgia Cardíaca, que na maior parte dos casos faz a troca da porção doente por uma prótese, além de corrigir as válvulas do coração que eventualmente podem ter sido acometidas.

A dissecção tipo B é inicialmente tratada com controle da pressão arterial e da dor, além de monitorização vigorosa em ambiente de terapia intensiva. No entanto, se a dissecção está complicada com diminuição do fluxo sanguíneo para os órgãos ou membros, está indicada a correção cirúrgica – que atualmente é realizada quase que 100% das vezes através da técnica endovascular.

Muitos pacientes não necessitam intervenção cirúrgica, porém devem ser seguidos com exames de imagem periódicos para avaliar a diminuição da luz falsa com o tempo, e se ocorreu dilatação da parede tardiamente (aneurisma). Cerca de 1/3 dos pacientes vão necessitar correção cirúrgica no seguimento a longo prazo.

Tratamento Endovascular da Dissecção de Aorta Tipo B

No tratamento endovascular uma prótese é colocada na porção da aorta onde se abriu a fenestra. A prótese é inserida através de um pequeno acesso na virilha. O objetivo é que, fechando o local da comunicação entre a luz verdadeira e a luz falsa, normalize o fluxo sanguíneo por dentro da aorta e ocorra a cicatrização e fechamento da luz falsa.

Em alguns casos é necessária a colocação de stents nas artérias que levam sangue para os órgãos, a depender do grau de acometimento pela obstrução. Casos de acometimento das artérias que levam sangue para os membros requerem cirurgia de revascularização do membro.

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